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J� Saiu da Gaveta

18/06/2004 23:19

"Estou me acostumando comigo,
revendo a casa, os vizinhos
e os vazamentos
e isso já não me assusta mais”

Não, não vou dizer que nunca estive tão bem comigo mesma, pois posso acordar péssima amanhã. :-) O estar bem, na verdade, tem a ver com o estar sozinha, que significa não estar namorando, conhecendo, “ficando”, ou seja lá qual outra identificação existir. Quem me conhece sabe o quanto eu gosto de ficar sozinha, mas também sabe o quanto eu gosto da presença de alguém na minha vida. Uma presença meio distante, confesso, mesmo assim, uma presença. Alguém presente, para mim, significa alguém capaz de fazer com que eu me sinta amada, o que aconteceu apenas uma vez até hoje, mas, infelizmente, meu sentimento não era o mesmo.
Já faz tempo que eu tento fazer as pazes comigo, sentimentalmente falando. Levar um fora não é algo tão simples, tão fácil de ser digerido, principalmente quando se gosta da pessoa (ou se pensa que gosta). Já vai fazer um ano que um processo de reconstrução está em andamento. Não estou falando da pessoa especificamente, falo da situação em si, que acabou acontecendo de novo, alguns meses depois, com outra pessoa. O quase um ano tem a ver com a situação, não com as pessoas envolvidas.
Ando meio fechada, ou engavetada, para utilizar meu codinome neste espaço. Não estou em busca de nada, de ninguém (na verdade, nunca estive). Apenas não tenho como facilitar qualquer aproximação, estou em um momento extremamente intimista. Quem quiser se aproximar, terá de ter paciência, caso contrário, nada feito.
Demorei a atingir um estágio de “estar bem”, sem ter o que (ou quem) eu gostaria ao meu lado. Aprendi a conviver com perdas e distâncias. A questão não é medo de passar por tudo novamente, não ter garantias de nada, etc., apenas não estou em um momento propício e favorável para deixar alguém se aproximar. E estou curtindo essa fase. “Estou me acostumando comigo”, vai demorar até que eu me “acostume” com outra pessoa. ;-)
Na verdade, pode parecer estranho, eu sempre me vi afastada de mim mesma, quando namorava alguém. Não sei se é por uma espontaneidade que me falta, ou se eu fico muito mais voltada para o outro que para mim, o que não deixa de ser uma espécie de fuga. Sempre percebi que o meu estar com alguém não era um encontro comigo mesma tampouco com o outro, mas uma fuga de mim. Aquela velha história do “Comigo me desavim”. Como tenho procurado fazer as pazes comigo há algum tempo, outra pessoa não cabe por enquanto. Não é questão de ajudar ou atrapalhar, apenas não tem espaço. E isso não me deixa mal.
Outra coisa: ando menos virtual do que nunca. Pensei em acabar com o blog novamente, mas não estou muito certa ainda. As restrições do IG até que vieram em uma boa hora. Vou esperar mais um pouco... Estar menos virtual, no entanto, não significa estar mais sociável. Só estou meio cansada de “vida virtual” (ou “dependência virtual”)... Como já disse outras vezes, não consigo encontrar um meio-termo nesse sentido. Vou aparecer menos, mas vou continuar aparecendo de alguma forma...

enviada por Engavetada






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